danças de verão

O governo decidiu tomar medidas para preservar a imagem do grupo da Caixa Geral de Depósitos. Como é que um governo preserva a imagem do grupo Caixa? Demitindo administradores. Claro!
Nós sabemos que as nomeações de administradores do que quer que seja público não segue quaisquer critérios de competência e é antes uma distribuição de prémios entre políticos que se compram e se vendem no mercado. A nomeação de uma advogada para administradora da Caixa depois de ter sido Sinistra da Justiça não causa espanto a um único português e isso há-de ter uma explicação. Do mesmo modo, a nomeação seguida de desnomeação de administrador da Caixa de um antigo Sinistro da Indústria é coisa da ordem da vulgaridade portuguesa, mesmo que a desnomeação signifique uma reforma milionária. Tornaram-se vulgares as reformas e indemnizações milionárias que são pagas mesmo quando os gestores são dispensados de arruinar uma coisa pública por terem sido recrutados para arruinar outra igualmente pública.

Nós sabemos que o anterior governo usou o banco nacional para distribuir currículos e ordenados de administradores a alguns dos mais feios testas de ferro dos partidos apoiantes, tendo despedido os igualmente feios administradores da batota do anterior governo.

Novidades nesta dança de cadeiras da administração da Caixa? Terem acrescentado mentira à mentira? Dizem eles que diminuíram o número de administradores sabendo eles que nós sabemos que, no que a pagamentos diz respeito, o banco do povo vai pagar e bem a todos os que estavam e ainda mais aos que passam a estar. E não sabemos a quanto monta a indemnização aos que saem. Pode ser que ainda venhamos a saber, louvada seja a democracia por nos permitir ao menos saber o montante do rombo (para não dizer o montante do roubo). Novidade é também o reaparecimento daquele sinistro do tempo de Guterres (colega do Sócrates) que ficou embrulhado em engenharia de fundações por onde escorriam dinheiros do estado sem regra nem roque. Deve ter hibernado numa aceitável prateleira do centrão (na caixa do estado, portanto). Estava a ver que nunca mais aparecia a cobrar pela bitola máxima os serviços prestados ao consulado guterrista pré-socrático!

O Marques Mendes denuncia esta dança como saneamento político. Com toda a razão! Não é espantoso este nosso eleito Marques Mendes? Perspicaz! A minha mãe acrescentaria: E sem vergonha naquela fronha!


[o aveiro; 4/8/2005]

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