desenho, logo existe

(...)
Dai-me o sol das águas azuis e das esferas
Quando o mundo está cheio de novas esculturas
E as ondas inclinando o colo marram
Como unicórnios brancos.
(...)
[Sophia. Coral,ed definitiva]
enviado por
A. Martins
em
4.7.09
0
comentários
(...)
Não deixes entrar os americanos em casa. Foi o que ele disse ainda não se tinha sentado na cadeira mesmo à minha frente. Com os cotovelos grudados na mesa onde o meu café tinha começado a tremelicar de medo, ele olhava-me fixamente nos olhos. Quando ele fazia isso para se sentir dono da minha mesa, eu mantinha os olhos ocupados a ler as placas das reuniões dos cursos antigos.
Graças ao meu amigo, que eu nunca tive o prazer de conhecer, decorei uma parede de placas. Não me deixes entrar os americanos em casa - repetia. Mais baixo, reclamava: O que nós devíamos era correr com eles à bomba! E voltava a fixar-me nos olhos, depois do elegante gesto de arrumar farripas treinadas para a intimidade reflexiva. Nestas alturas, eu deixava correr o tempo e lia placas, umas atrás de outras.
Uma eternidade de placas depois, ele falava de novo. Sabes se os americanos já chegaram? ainda dizia antes de, finalmente, dizer o que eu esperava desde o início: Pagas-me o café? Naquele dia, eu abri a boca e soltei a frase que ele nunca me tinha ouvido: Não tenho dinheiro. Desculpa. Sem acreditar, levantou-se até chegar ao dobro da minha altura, virou-me as costas e saíu do Piolho para sempre ... o dia seguinte.
(...)
(depoimento pessoal pedido pelo Ciência Hoje - ora viva, Jorge Massada)
enviado por
A. Martins
em
30.6.09
0
comentários

dedo no ar (podcast)
escrivaninha
bloGeometria
infinitamente pequeno
combate pela Geometria
diário de bordo
disciplina das argolas
visões úteis
cidade dos diários
memória persistente
um murtoseiro
com palavras ao fundo
sebenta
prego no sapato
divas e contrabaixos
poeta salutor