31.12.09

as sardinheiras: da varanda



mais um menos um: nada.

as raízes e a sombra: da varanda



25.12.09

desenho, logo existe



diário

ao longe, a torre. não ouço, mas podia ouvir. se não fosse surdo, ouviria o sino da torre. não o vejo, mas sei que aquela torre não engana e alberga um ou mais sinos. não o vejo, nem o ouço, mas sei que aquela é uma torre sineira. e isso é tudo o que preciso de saber. o resto é consequência. a existência, a prova de vida, o passeio do cego, o passeio do surdo, o passeio da rua. em tempos, vi a minha rua pela primavera, pelo verão, pelo outono e pelo inverno. conheço a minha rua de olhos fechados, como a palma da minha mão. gosto muito da minha rua. já posso gostar sem sentido. sem sentidos.

24.12.09

não me vês...



... quando olhas para mim

quando te não vejo...



... olho por ti.

natal



vejo-te da janela do comboio vais a correr
e eu quero ficar contigo mas tu nem me vês

lembro-me de puxar pelos olhos e de te meter
no bolso e até pensar: quem sabe se me não lês

21.12.09

11.12.09

diário

apaga
como quem afaga
quem existe

num desenho triste

desenho, logo existe



desenho, logo existe



desenho, logo existe



8.12.09

oriente, algures



diário

amanhece! escrevo todos os dias, enquanto calço as meias e aproveito a vénia a que me obrigo para calçar as meias, para a minha oração diária. já roguei pragas contra as dores nas costas ou o desequilíbrio matinal como quem reza. já rezei. amanhece! reze ou não reze.

1.12.09

diário

Uns dias melhor, outros pior. ao contrário de outros que as vendem, a minha mãe dava ordens. sempre a admirei por isso. e o que era melhor é que dava ordens simples. se não executássemos o que ela mandava fazer não podia ser por não termos entendido as ordens. não tínhamos desculpa. ultimamente tenho andado a pensar que não sei dar ordens. desisto? ou penso melhor no que seja uma ordem antes de a dar. ou pago para aprender a dar ordens. ou faço um esforço para me lembrar da técnica de comunicação da minha mãe para dar ordens com vista a acções particulares. ou passo a vender ou distribuir ordens como fazem os reis das monarquias e os presidentes das repúblicas, sem esperar que possam ser compreendidas já que a acção requerida está só em receber pondo o peito a jeito.