AveiroPolis?
Há vários anos, sobre o programa Polis, escrevi um texto a pedido do semanário "O Aveiro", penso eu. Encontrei-o agora. E veio-me de novo à cabeça a pergunta: De que parte é que os pod(e)res se esquecem quando passam à prática? Da parte participativa da democracia, especialmente. Mas também de levar as coisas a bom termo no que isso significa de fazer a obra toda e não só aquela parte que alimenta empreiteiros e patos bravos (sem ofensa para os patos e patolas). Aqui transcrevo esse texto, então, escrito em representação do Bloco:
Quando o programa Polis foi apresentado ao Parlamento, o Bloco de Esquerda não votou favoravelmente as propostas do Governo, não tanto por se considerar negativos os seus conteúdos, mas por não ter havido concurso publico para a escolha das cidades, de ideias para a selecção dos projectos de intervenção. Mas isso não obstou a que o Bloco tenha viabilizado o Programa Polis.
Algumas condições foram apresentadas pelo Bloco e aceites pelo Governo. Por exemplo, mantêm-se todas as competências municipais em matéria de aprovação dos instrumentos de planeamento e gestão urbanísticas e mantém-se a necessidade de aprovação pelas Assembleias Municipais de todos os planos de urbanização, planos de pormenor ou alterações aos planos directores municipais, para cada uma das Zonas de Intervenção definidas ou a definir no âmbito do Programa Polis. Também houve acordo sobre a dimensão e os formatos da informação e discussão públicas.
As intervenções de requalificação urbana da cidade de Aveiro, que estão previstas para áreas que acompanham braços da ria, podem ser e vão ser positivas na globalidade. Com certeza que alguns aspectos que acompanham a intervenção podem e devem ser seguidos com preocupação. Mas esperamos vir a ter uma nova configuração de cidade amigável desde a lota até ao perto da 109 seguindo o braço que passa pela Capitania, mercado Manuel Firmino, centro cultural e de congressos, etc, assim como esperamos uma recuperação da envolvente do canal de s. roque e para o lado da universidade. O programa Polis devolver-nos-á uma cidade melhor, estamos certos disso.
Esperamos que seja cumprida com dignidade a participação cidadã, suprindo pela via do acompanhamento pela população e seus representantes alguma da falta de transparência que esteve na génese do Programa.
Arsélio Martins
Bloco de Esquerda
a sustentatibilidade em março
... nunca foi a conservação dos acessos à beleza do jardim de santiago, mas é o anúncio de obra de regime ao tempo da crise.
ainda esteve está estará assim em março
entrada no jardim do bairro de santiago, claro!
quem planeou a localização do poste?
há quantos anos? há quantos anos ali está?
daqui a pouco é já amanhã
daqui a pouco é já amanhã
e nós não sabemos muito bem como lidar com isso
muito menos sabemos quando as informações que temos
não ajudam os que querem saber
será melhor eu decidir que a partir de amanhã
desista de querer saber
e mude de um dia para o outro
como quem dá um passo sem objetivo
nem balanço para o próximo
de venda posta e sem aparelho auditivo
antónio t
de vez em quando acontecem as mortes
mais simultâneas
que surpreendentes
por sabermos que... e que
as probabilidades não nos permitem
grandes denaveios
tonino guerra: a névoa
Às vezes a minha aldeia
fica presa dentro da néva
e os pássaros em silêncio sobre os ramos
olham o céu sujo
como o observas tu
dentro do teu carro.
Foi... como uma das histórias para uma noite de calmaria. Falei dele e li algumas das suas histórias em escolas. A primeira vez que li um poema dele foi num azulejo que os meus filhos me trouxeram como gravação física do encontro com Tonino Guerra, na sua aldeia. No azulejo estava escrito o poema "La farfalla". Aqui fica, prejudicado, em português
A Borboleta
Contente, mesmo contente
estive na vida muitas vezes
mas nunca como na Alemanha
quando me libertaram
e me pus a olhar uma borboleta
sem vontade de a comer.
os dias
ontem passaram por mim versos em bando
filigranas de letras unidas esvoaçando
e eu confesso que nem reparei como era bela
a moça de cabelos presos pelo poema
na tocaia de quem lhe soltasse os cabelos
e entrando dentro dos seus olhos à janela
pudesse ver-me assim distraído e triste poeta infeliz
que só pensa em formas eficazes de desentupir a sanita.
o homem sem qualidades
que aconteceu a 11 de março? de que ano? em 1975, acordámos estremunhados a 11 de março e fomos (eu e um amigo) fazer parte do dique entre os dois rios que se formaram em frente ao ralis(?). reconhecemos um amigo fardado e aparentemente envolvido ou surpreendido pela coisa. por ali ficámos, ouvindo, vendo e falando, até percebermos que quem ali estava sabia pouco das razões da sua presença dividida pelos dois rios paralelos e até tudo se transformar na cena fotografada e filmada e radiodifundida que a transforma noutra coisa. então passámos a ser os que saem de cena (drama-tragédia-comédia?). golpe? pelo sim, pelo não, optei por não voltar aos serviços cartográficos nos imprevisíveis dias seguintes. não sei se o meu amigo voltou à sua unidade na marinha. aproveitei para vir para norte, passando por uma reunião clandestinada na vergada tanto quanto me lembro e não me lembro se passei pela família a morar ali perto. quando dias mais tarde voltei aos serviços ninguém tinha dado pela minha falta ou ninguém me falou disso. como se nada se tivesse passado, a vida voltou ao que fora: técnico militar da cartografia do dia e político nos sonhos das ruas dos sonhos.
não me lembro ou pelo menos não guardo provas de termos sido cartofotografados.
não me lembro ou pelo menos não guardo provas de termos sido cartofotografados.
perguntas soltas para meias revoltas
por estes dias corre a vida por uma economia paralela
a todas as ruas humanas permanentemente vigiadas
por matilhas tensas para um salto prodigioso
quantos são os lobos quantos são os ladrões verdadeiros
quantos são feras necrófagas quantos os oportunistas
quantos os que contam as ocasiões para a oportunidade
(que faz o ladrão)
quantas mantas de retalhos sobre os olhos fechados e a boca
quantas narinas abertas ao vento das palavras
quantas palavras sussurradas por pares de olhos fechados
(para não ver a dor dos outros)
quantos cheiros fazem uma vala comum
quantos delírios formam um país de navegadores
quantos submarinos em docas secas
(vales de lágrimas e dinheiro pingado e evaporado)
quantos são
quais cheiros são adocicados pelo terror
quais as ciências dos que enchem a boca de razão
(prática toda ela como se fosse pura)
quais são os crimes vitoriosos em palácios da justiça
quais são os frufrus dos novos palácios
quais são os derrotados quais são os vencedores
quais são as necessidades quais são os palácios da caridade
quais são as quadrilhas internacionais quais são os bandidos
quais são os viajantes entre países credos e raças quais são as vendas
quais são os sonhos que são pesadelos
de quem são os sonhos e quais são pesadelos de outros quais são
que nomes usam dentro de portas que nomes fora de portas
que língua falam que palavras dizem que fardas usam para as guerras
quando as travam quando decidem as ordens de compra e venda
quais os mercados onde compram escravos que executam as ordens
quantos quais quem são e de onde
viajam de lugar nenhum para nenhures
habitam num real mercado virtual da economia global mundial virtual
verdadeiramente paralela à humanidade
cortam-nos ao meio de nós estão no meio de nós são donos da casa
andam a despejar o cheiro do fel para matar a fome e sede
de justiça e a fome e a sede verdadeiras
entre nós eles contam-se pelos dedos
cortam-nos os dedos pelos anéis
e para não podermos contá-los nem apontá-los a dedo
que é só disso que têm medo
de resto contam com a ideia do medo de todos nós
em cada um de nós afinal o que são dias um dia não são dias.
a todas as ruas humanas permanentemente vigiadas
por matilhas tensas para um salto prodigioso
quantos são os lobos quantos são os ladrões verdadeiros
quantos são feras necrófagas quantos os oportunistas
quantos os que contam as ocasiões para a oportunidade
(que faz o ladrão)
quantas mantas de retalhos sobre os olhos fechados e a boca
quantas narinas abertas ao vento das palavras
quantas palavras sussurradas por pares de olhos fechados
(para não ver a dor dos outros)
quantos cheiros fazem uma vala comum
quantos delírios formam um país de navegadores
quantos submarinos em docas secas
(vales de lágrimas e dinheiro pingado e evaporado)
quantos são
quais cheiros são adocicados pelo terror
quais as ciências dos que enchem a boca de razão
(prática toda ela como se fosse pura)
quais são os crimes vitoriosos em palácios da justiça
quais são os frufrus dos novos palácios
quais são os derrotados quais são os vencedores
quais são as necessidades quais são os palácios da caridade
quais são as quadrilhas internacionais quais são os bandidos
quais são os viajantes entre países credos e raças quais são as vendas
quais são os sonhos que são pesadelos
de quem são os sonhos e quais são pesadelos de outros quais são
que nomes usam dentro de portas que nomes fora de portas
que língua falam que palavras dizem que fardas usam para as guerras
quando as travam quando decidem as ordens de compra e venda
quais os mercados onde compram escravos que executam as ordens
quantos quais quem são e de onde
viajam de lugar nenhum para nenhures
habitam num real mercado virtual da economia global mundial virtual
verdadeiramente paralela à humanidade
cortam-nos ao meio de nós estão no meio de nós são donos da casa
andam a despejar o cheiro do fel para matar a fome e sede
de justiça e a fome e a sede verdadeiras
entre nós eles contam-se pelos dedos
cortam-nos os dedos pelos anéis
e para não podermos contá-los nem apontá-los a dedo
que é só disso que têm medo
de resto contam com a ideia do medo de todos nós
em cada um de nós afinal o que são dias um dia não são dias.
Passos foi a votos
Pediu e recebeu os votos do psd ou do ppd ou da troika. Em sonhos, não tinha lido "Passos vai a votos" e antes "Passos vai e não volta", porque lhe tinham oferecido uma nova oportunidade e ele tinha ficado a estudar Filosofia pela Sorbonne, em boa companhia. Parece-me que Passos e Sócrates são muito parecidos: começaram a estudar na JSD para passar por universidades de conveniência (ou lojas de padrinhos) até chegarem ao governo, passando por conselhos de administração ou similares. Estudar só mais tarde.
Uma morte de uma estação, Antónia Pozzi
Messaggio
E tu, stella acta notturna
splendi ancora
se per il solco delle strade
grida la triste anima dei cani.
Sorgeranno colline d'erba magra
a coprirti:
ma nel mio buio conquistato
brillerai, fuoco bianco,
parlando ai vivi della mia morte.
(prefácio de José Carlos Soares, sel, e trad, de Inês Dias)
E tu, stella acta notturna
splendi ancora
se per il solco delle strade
grida la triste anima dei cani.
Sorgeranno colline d'erba magra
a coprirti:
ma nel mio buio conquistato
brillerai, fuoco bianco,
parlando ai vivi della mia morte.
(prefácio de José Carlos Soares, sel, e trad, de Inês Dias)
caminhos do deserto
mais um ataque de tosse e acordei
para um duche de manhã solarenga
antes de vestir um fato cinzento
domesticado para passar por um funeral
mais um ataque de tosse e levantei-me da cadeira
para sair a caminho da igreja onde as pessoas velam
uma ausência
ataquei o cachimbo com gestos precisos
para seguir a caminho da biblioteca mais perto
e desistir da igreja onde não faço falta à ausente
nem a mim enquanto penso num sonho interrompido
pela memória de quem é já vento e viagem de fumo
desfeita por um novo ataque de tosse que bate à porta
de capa dura do livro dos mortos em vigília
para um duche de manhã solarenga
antes de vestir um fato cinzento
domesticado para passar por um funeral
mais um ataque de tosse e levantei-me da cadeira
para sair a caminho da igreja onde as pessoas velam
uma ausência
ataquei o cachimbo com gestos precisos
para seguir a caminho da biblioteca mais perto
e desistir da igreja onde não faço falta à ausente
nem a mim enquanto penso num sonho interrompido
pela memória de quem é já vento e viagem de fumo
desfeita por um novo ataque de tosse que bate à porta
de capa dura do livro dos mortos em vigília
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Re: Mensagens
Quando posso escrevesses com a mais perdido de quanto …. No dia 06/07/2024, às 10:23, Arselio Martins <arselio@gmail.com> escreveu: M...
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Quando posso escrevesses com a mais perdido de quanto …. No dia 06/07/2024, às 10:23, Arselio Martins <arselio@gmail.com> escreveu: M...








