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30.11.10
  duas delas
 
  a casa sobre estacas
 
29.11.10
  escrever sobre o óbvio
Voltarei a escrever um dia.

Um dia, quando esta correria
for interrompida por uma parede
intransponível como uma meta
ou uma bandeira axadrezada
ao longe

voltarei a escrever o óbvio
sobre o óbvio
até se tornar óbvio
o óbvio
e o ódio.

Vou fazer isso
certamente.
 
  do comboio
 
28.11.10
  quem?
 
  dedos das pernas
 
  retrato fal(h)ado
 
26.11.10
  desenho
 
  desenho
 
  desenho
 
25.11.10
  desenho
 
24.11.10
  em breve...

GREVE
 
22.11.10
  passado a pente fino
 
  Sobre a morte da edição de poesia portuguesa
Na coluna "Ao pé da letra (Actual. Expresso, de 21 de Novembro),  António Guerreiro denunciou:


Vasco Teixeira, responsável editorial pela Porto Editora, o maior grupo editorial português, fez as contas e concluiu: "Se me perguntar se daqui a dez anos ainda se edita poesia em Portugal, dir-lhe-ei que não. Quando muito, teremos algumas edições artesanais(...). E haverá mercado para isso. Para o tipo que faz uma edição de 30 ou 50 exemplares que os amantes de poesia comprarão." Em 1989, um grande poeta e ensaísta alemão, Hans Magnus Enzensberger, também tinha feito as suas contas (a matemática não é uma ciência que lhe seja estranha) e chegara a um número muito mais rigoroso do que o do empresário português: mais ou menos 1354. E como tentava demonstrar que esse número era uma constante universal, para todas as comunidades linguísticas e em todos os tempos, chamou-lhe a "constante de Enzensberger". O escritor alemão explicava esta constante através desta anomalia: é impossível transformar poemas em dinheiro. Sempre assim foi e sempre assim será. Menos dado à Matemática, Vasco Teixeira formula sua constante não em termos de valor numérico (há um intervalo demasiado grande entre os dois números que avança no seu prognóstico) mas em termos de lei económica: a lei do mercado não admite anomalias. A constante dita de Vasco Teixeira pode invalidar a constante dita de Enzensberger por uma razão fraudulenta: quem detém um tão grande grupo editorial e também a maior rede de livrarias do país (a Bertrand) tem algum poder para fazer com que a sua profecia se realize, para que ela seja uma self-fulfilling prophecy. Mas sabendo nós que anteriores mortes anunciadas foram uma falsa notícia, talvez a constante dita de Vasco Teixeira admita as suas exceções e as espécies minoritárias sobrevivam em microclimas. Vamos então suspeitar da constante dita de Vasco Teixeira: "30 ou 50" não é afirmação de ciência certa. 



Os professores, mais do que ninguém, devem guardar estas denúncias na memória, ou melhor, devem guardar na memória as declarações dos responsáveis editoriais.
 
18.11.10
  desenho, logo brinco
 
  desenho, logo vi
 
17.11.10
  desenho, logo vi
 
  desenho, logo existe
 
15.11.10
  quase retratar
 
13.11.10
  um casco, entre outros
 
  nas mesmas teclas: arquitectura geracional
 
  nada que interesse!
 
9.11.10
  ao meio

 
7.11.10
  sem qualidades, a encosta


 
  inóspitas pontas secas


 
  diário de campos de batalha
 
4.11.10
  que cortas tu, que cortarei eu?
ao passar pela janela do diabo
não deixo de espreitar

não não é  para lhe ver o rabo
mas para ver como lho hei-de  eu cortar
 
  cavaqueira (recuperada por um anónimo)
um.
dona maria é quem te faz a cama
que ela agora é de todos a primeira dama
chefe de família sussurrante de uma gaguez
própria para presidentes da pequenez

dois.
só há figurões atrás do teu andor
como atrás dos santos noutros tempos o regedor
usar asas de anjo na tua idade é que me enjoa
não soubéssemos nós que nos vens roubar a broa

três.
deram-te as jóias da família e até um jazigo novo
para que possas enterrar ainda mais o país e o povo
a ti que pausas nas vírgulas para economizar alguns ditos
que não ouça o povo de bordalo o teu medo de manguitos

quatro.
deram-te votos as administrações dos bancos e das capelas
no mosteiro cultural do teu regime de anorético à base de balelas
a ti que fizeste votos de seca santidade para um país de crentes:

aos miseráveis salafrários os salários mínimos cortarás rentes!

cinco.
toma cuidado toma cuidado toma cuidado toma cuidado
que este país não é casa só de chocas há também outro gado
que nem é bravo mas está cansado e se desesperado
pode invadir a retrete do palácio para a deixar em tal  estado

que se pareça com a merda do estado a que chegou a gente
enquanto ias passadeira fora... de ministro a presidente
 
2.11.10
  outono
 
  velho soneto de caca e asas
Casei-me também para ter uma viúva capaz
de me ver voar sem asas como labareda no forno
ou como voa o fumo ao sair da alta chaminé
ou como voa a cinza no cume da liberdade

de qualquer monte ventoso ou à porta de casa
em certos dias de cabeça perdida e vento irrequieto
a desmanchar perucas a levantar saias e a despedir
chapéus para as retretes públicas dos cães.

Outros animais de estimação como eu sem asas
e também as crianças deixaram de brincar à solta
nas ruas e ex-jardins públicos privadas a céu aberto

mas mesmo sabendo eu que o fumo da minha carne
e a cinza dos meus ossos vão cair em montes de caca
a minha esperança de voar sem asas permanece intacta.
 

o lado direito




(...) o homem que não dorme pensa: «o melhor é voltar-me para o lado esquerdo e assim, deslocando todo o peso do sangue sobre a metade mais gasta do meu corpo, esmagar o coração».
Carlos de Oliveira
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escreva-me que bem preciso.


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