>
30.6.11
  a máquina tinha saído de casa pela porta da frente
 
29.6.11
  a governanta e a governança
 
  paisagem
 
19.6.11
  paisagem
 
18.6.11
  desenhar por desenhar
 
13.6.11
  arquitectura para a solidão
 
10.6.11
  uma cidade com uma ideia
 
7.6.11
  O estado de excepção de Cavaco
Logo que foram conhecidos os resultados eleitorais (ou parte deles), sem esperar pelos resultados oficiais do sufrágio e sem sentir necessidade de ouvir sequer os partidos com assento parlamentar como é das normas, Cavaco indigita informalmente (só pode ser) Passos Coelho para formar governo. Eficácia, dizem uns. Desrespeito pelo Parlamento, dizem outros.
Está bem acompanhado Cavaco. Os comentadores de serviço a regimes de excepção reagiram céleres a inquietações sobre a constitucionalidade de actos e medidas previstas no programa de resgate que os três partidos do arco do poder assinaram.  Sem se preocuparem com a constituição que como seu garante  foi eleito o presidente da república e os eleitos dos partidos para governarem de acordo com ela, sendo que todos eles juram respeitar  a constituição nas suas tomadas de posse.
Acrescentam nos seus comentários que será inaceitável que se use a constituição como impedimento ao cumprimento dos prazos previstos para as medidas a tomar impostas ao arrepio das normas constitucionais do país de tão devotos patriotas e democratas. Alguns deles já foram alertando o tribunal constitucional para que não se torne num empecilho ao supremo desígnio do resgate para salvação das almas portuguesas. E desenterraram um clima excepcional (muito calor, muito frio, muito dinheiro) e  tempos de excepção para suportar eventual desrespeito da constituição. Procuram-se argumentos a favor do estado de excepção.
Cavaco faz-se  presidente de um estado excepcional. Quantas mais excepções serão abertas neste caldo dos governos presididos por jotas e janotas? Sempre aceitaremos interromper a democracia por 6 meses para pôr ordem nisto. Os jotas não se lembram de anteriores interrupções. Mas ainda  vive quem se lembre.
 
  A última vitória de Cavaco
Cavaco não é o presidente de todos os portugueses. Sabendo bem que, em economia e finanças, nunca há um só caminho e que, mesmo entre os economistas e financeiros não vinga a tese de uma estrada real para escolher modelos de saída da crise, Cavaco não hesitou em indicar como opção da república um dos caminhos e logo uma causa de governação e o leque das figuras de governo. Mais: não hesitou em contaminar processos de eleição em curso com as insinuações da tragédia de futuros salários em atraso, o que foi acrescentar medo ao medo da ignorância ampliado pelo problema de ter sido governante e ser presidente de uma república europeia em que são admitidas práticas de salários em atraso sem culpa e sem castigo, e práticas abusivas de precariedade dos vínculos laborais e respectivas remunerações. Curtos prazos para o medo, condicionando ou marginalizando todas as opções diferentes das suas. Temos um financeiro, rodeado de financeiros, capaz de jogos financeiros e capaz de viver com a miséria dos trabalhadores sem o salário equivalente mau da produção já realizada e até mesmo já retribuída em transferências de valor e capaz de lhes lembrar que pode conviver com situações piores do seu povo. A sua acção, a merecer concretização célere pelos seus - PS, PSD, CDS e outros figurões detentores de poder económico ou simplesmente financeiro, ficará marcada não por conhecermos o seu sentido de voto, mas por ter feito do seu voto uma arma apontada a quem tem modelo diferente do seu. Portugal é uma nação que parece amarrada a financeiros (que lembrança a minha!).
Por último, vale a pena referir que, além da indicação de sentido de voto (só não foi capaz do partido único e se contentou com uma coligação tripartida), transformou-se no primeiro presidente a retirar o direito à crítica cívica aos que não foram às urnas neste seu plebiscito. Na nossa democracia, ainda há quem se considere presidente de todos os portugueses baseado numa fé de pai que quer o melhor para o seu povo e que se acha no direito de condicionar a decisão livre dos outros seus concidadãos. Mesmo sendo pouco crente em autorizações divinatórias, quaisquer que elas sejam, sempre vou lembrando que o futuro a deus pertence e que Cavaco está longe de (ser) deus e é agora seguramente presidente de uma parte dos cidadãos de uma pequena república da Europa,  temente dos sentimentos dos mercados financeiros. Pouco valor atribui às pessoas.... essas que são sensíveis e que ainda lhe retribuem votos até perceberem que merece, para além da reforma... algo mais que sentimentos. Os meus sentimentos aqui ficam. Não lhes atribuo qualquer valor de mercado. Sei que os sentimentos de Cavaco têm valor nos mercados, ao contrário dos meus.
 
5.6.11
  a 5 de junho....
... vencem os que nos troikatrilham...
... enquanto outros recomeçam combates de sempre, como sempre.
 
  manifesto eleitoral
perguntam-me que vou fazer quando me reformar.
posso responder a isso.
tenho muitas coisas ainda por fazer que sempre fui adiando e talvez já não possa fazer porque nunca tomei notas e esqueci-me de muitas palavras que me ficaram atravessadas na garganta e nunca foram ditas e muito menos escritas e
a) posso voltar a estudar matemática básica com disciplina e afinco.
b) posso ler poesia com disciplina e afinco.
c) posso ler romances com disciplina e afinco.
d) posso escrever algumas frases de que me lembre.

e) e posso desenhar.

para isso preciso de tempo e
para tudo isso e para tomar banho concertei as mãos gastas a arranhar as paredes possíveis e a trepar paredes erguidas a pique contra mim muitas destas por mim erguidas.
 
  desenhar o desnecessário sentido
 
  desenhar um monte de
 
  olhaste para ela e viste o quê?
 
4.6.11
  a noite do dia e o dia da noite
 
3.6.11
  daqui a pouco é noite
daqui a pouco é noite e acendem-se as luzes da fogueira
para  encher praças de assombrações e máscaras confiantes

que dançam na alegria dos comícios das festas manifestantes
contra a ganância mais podre mais cruel e carniceira

daqui a pouco é noite antes das avisadas noites que virão
adivinhadas arrogâncias de catedrais que não descansam

nem esquecem a arte das fogueiras de sombras que dançam
num fragor de derrocada do altar  proclamada como sermão

daqui a pouco é noite nós cá estamos despertados moribundos
não se esqueçam de nós que vos passámos pelas penas do perdão

ai como sempre se esqueceram de nós nas casas dos fundos
nós contamos as canções mudas do pavor na vossa ressurreição

daqui a pouco é noite ainda vamos a tempo esperem um pouco
ainda sobra um alento ainda sopra o vento num verso rouco

ainda há gente a gritar ainda há gente a rir ainda há gente ainda
que forma a frente a unida frente que vos faz frente e nunca finda

daqui a pouco é a noite que à luz do dia é ainda  a mais linda.
 
  a cidade onde
 
  desenho, logo existo
 
1.6.11
  to BE or not to BE...
... to BE!
 
  Votar contra os que nos odem
Dou por mim a pensar no passado que conheço
E sem fazer profecia alguma que isso não vem ao caso
Levanto-me do chão de vespas em que amanheço
Para me coçar onde me mordem as virtudes um pouco ao acaso

E para me lembrar em cada dia que rápido passa
De ladrões e quadrilhas que me roubam sono e vida
Sem haver prisão que os detenha e como isso é desgraça
Fazer votos e dar voto que seja lenço e desejo de despedida

Ajudando assim a minha gente mesmo que ela seja insensata
E medrosa e crente na eterna demissão face aos que tudo podem
Vou votar com pontaria afiada que mesmo uma pistola de lata
Pode ser a melhor arma de dignidade contra os que tudo odem
 

o lado direito




(...) o homem que não dorme pensa: «o melhor é voltar-me para o lado esquerdo e assim, deslocando todo o peso do sangue sobre a metade mais gasta do meu corpo, esmagar o coração».
Carlos de Oliveira
Google

o lado esquerdo
World Wide Web

LIGAÇÕES


escreva-me que bem preciso.


bloGeometria
infinitamente Pequeno
mesura
desenha
combate pela Geometria

homem à janela


ARQUIVOS
Maio 2003 Junho 2003 Julho 2003 Agosto 2003 Setembro 2003 Outubro 2003 Novembro 2003 Dezembro 2003 Janeiro 2004 Fevereiro 2004 Março 2004 Abril 2004 Maio 2004 Junho 2004 Julho 2004 Agosto 2004 Setembro 2004 Outubro 2004 Novembro 2004 Dezembro 2004 Janeiro 2005 Fevereiro 2005 Março 2005 Abril 2005 Maio 2005 Junho 2005 Julho 2005 Agosto 2005 Setembro 2005 Outubro 2005 Novembro 2005 Dezembro 2005 Janeiro 2006 Fevereiro 2006 Março 2006 Abril 2006 Maio 2006 Junho 2006 Julho 2006 Agosto 2006 Setembro 2006 Outubro 2006 Novembro 2006 Dezembro 2006 Janeiro 2007 Fevereiro 2007 Março 2007 Abril 2007 Maio 2007 Junho 2007 Julho 2007 Agosto 2007 Setembro 2007 Outubro 2007 Novembro 2007 Dezembro 2007 Janeiro 2008 Fevereiro 2008 Março 2008 Abril 2008 Maio 2008 Junho 2008 Julho 2008 Agosto 2008 Setembro 2008 Outubro 2008 Novembro 2008 Dezembro 2008 Janeiro 2009 Fevereiro 2009 Março 2009 Abril 2009 Maio 2009 Junho 2009 Julho 2009 Agosto 2009 Setembro 2009 Outubro 2009 Novembro 2009 Dezembro 2009 Janeiro 2010 Fevereiro 2010 Março 2010 Abril 2010 Maio 2010 Junho 2010 Julho 2010 Agosto 2010 Setembro 2010 Outubro 2010 Novembro 2010 Dezembro 2010 Janeiro 2011 Fevereiro 2011 Março 2011 Abril 2011 Maio 2011 Junho 2011 Julho 2011 Agosto 2011 Setembro 2011 Outubro 2011 Novembro 2011 Dezembro 2011 Janeiro 2012 Fevereiro 2012 Março 2012 Abril 2012 Maio 2012 Junho 2012 Julho 2012 Agosto 2012 Setembro 2012 Outubro 2012 Novembro 2012 Dezembro 2012 Janeiro 2013 Fevereiro 2013 Março 2013 Abril 2013 Maio 2013 Junho 2013 Julho 2013 Agosto 2013 Outubro 2013 Novembro 2013 Dezembro 2013 Janeiro 2014 Fevereiro 2014 Março 2014 Abril 2014 Maio 2014 Junho 2014 Julho 2014 Agosto 2014 Setembro 2014 Outubro 2014 Novembro 2014 Dezembro 2014 Janeiro 2015 Fevereiro 2015 Março 2015 Abril 2015 Maio 2015 Junho 2015 Julho 2015 Agosto 2015 Setembro 2015 Outubro 2015 Dezembro 2015 Janeiro 2016 Março 2016 Abril 2016 Maio 2016 Junho 2016 Julho 2016 Agosto 2016 Setembro 2016 Outubro 2016 Novembro 2016 Dezembro 2016 Janeiro 2017 Fevereiro 2017 Março 2017 Abril 2017 Maio 2017 Junho 2017

Site Meter
Powered by Blogger


sob licença
Licencia de Creative Commons