23, raramente

raramente escrevo sobre algum assunto que desperte
o interese de muita gente
nem o interesse de pouca gente que seja importante
nem sirva para alimentar algum diz que disse
que valha a pena seguir nos dias imediatos a ter sido escrito.

também raramente escrevo sobre os assuntos importantes
ou ajudo à discussão de assuntos importantes
com as frases importantes para a circunstância
dos assuntos importantes e fico sempre nas margens daimportância

de facto, eu gostava de ser o verso em branco de uma página
com uma linha que me tivesse marcado e a mais ninguém até ao ficar
convertido a ser a página seguinte do verso irredutível
mas desconhecido por todos
os anos do resto da minha vida.

raramente penso na minha vida como a página em branco que ela é
para continuar a ser uma oportunidade perdida
por mim e por ter escolhido uma forma de ser feliz
não sendo coisa alguma mais que os olhos capazes de ver o invisível
ar quando ele passa por perto
e se ri com aquelas gargalhadas que nem eu ouço.

Forquilhas

Forquilhas 
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Forquilhas tinha duas irmãs mais velhas. Uma delas chegou a frequentar os dois primeiros anos de um curso de manequim na Universidade de Santiago e anda à procura de emprego pelas montras da cidade. A outra acabou o preparatório na Escola da Variante e, tendo abandonado os estudos, anda a fazer inquéritos ao trânsito por conta do senhor Instituto. Forquilha foi criado por elas até à idade da reforma. Muito cedo, as irmãs deixaram de ter tempo para tomar conta dele e mal ele começou a gatinhar foram entregá-lo na porta do reformatório. 

No reformatório, Forquilhas aprendeu a arte de viver sem chatear a deus, nem ao director do reformatório e, ao fazer dezoito anos, deram-lhe alta. Ao sair do grande portão, deu de caras com duas mulheres. Espantado, viu que elas avançaram até ele e, depois de o beijarem, arrastaram-no para a limousine. Durante a curta viagem que fizeram, desde o reformatório até ao solar do livre arbítrio, lá lhe foram refrescando a memória sobre a família. 

Forquilhas ficou assim a conhecer as suas duas irmãs mais velhas, das quais já não se lembrava. Elas não pediram desculpa por nunca o terem visitado e ele também não esperava nada disso.
 
Ao lado do solar, numa pequena arrecadação, um jardineiro já velho acomodou o Forquilhas entre outras ferramentas. 
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Arsélio Martins escreveu 
para a voz de 
José António Moreira
na Rádio Independente de Aveiro
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18/09/93

Re: Mensagens

Quando  posso escrevesses com a mais perdido de quanto …. No dia 06/07/2024, às 10:23, Arselio Martins <arselio@gmail.com> escreveu: M...