às vossas ordens!
dos impostos
quando alguém fala de aumentar os impostos a pagar pela banca, os banqueiros argumentam que isso não pode ser feito.
até porque diminui várias coisas a começar pela competitividade entre eles no mercado mundial.
só que não há competitividade de jeito se os estados garantirem os depósitos nos bancos e até mesmo, por essa insuspeitada via, transformarem a sua actividade arriscada em nada de arriscado.
sem necessitarem de cobrir os seus riscos, os bancos estão transformados em cobradores de lucros, permitindo que, mesmo em situações de crise e bancarrota, se distribuam prémios entre os gestores jogadores e apostadores activos na criação de crise e ruína.
que também não podem ser tributados para não amolecer a actividade frenética dos magnifícos criadores de crises financeiras ou a competitividade entre eles.
mas, para a sociedade reganhar credibilidade financeira, os banqueiros clamam agora pelo aumentos dos impostos sobre os outros, sinal necessário para o acesso ao crédito internacional a juros convenientes ao capital financeiro (inter)nacional.
dito de outro modo, podemos baixar a competitividade de quem trabalha (de quem produz capital por incorporação de factores de produção ou de trabalho) desde que mantenhamos a credibilidade e a competitividade de quem cria o dinheiro virtual, capital especulativo - esse que não incorpora qualquer valor ou trabalho produtivo.
dizem que não é bem assim que as coisas se passam e, que para haver jogo, temos de considerar altamente útil e produtivo o trabalho não tanto dos jogadores, mas da banca, desses que jogam com o dinheiro dos outros.
mesmo quando corre mal o jogo do capital virtual, o estado cobre as apostas com o dinheiro real da sociedade, com impostos dos que trabalham.
as crises financeiras ensinam-nos que a parte do capital com trabalho produtivo incorporado está longe de ser igual ao todo que a imaginação gananciosa dos banqueiros e jogadores acrescenta ou cria e, ao mesmo tempo, retira do jogo dos impostos de cada país.
a vida real tornou-se um jogo arriscado e perigoso para os que não usam máscara e têm rosto e suor.
triste e amargurado é o fado de quem trabalha. graça tinha o fado canalha no tempo em que o fadista lia as letras do artista. só que agora há a grande canalhice e há fados tristes para quem vê vencer letras ao balcão da pulhice. e fados há, em que os grandes canalhas, sobre a denúncia podem cantam que é calhandrice.
até porque diminui várias coisas a começar pela competitividade entre eles no mercado mundial.
só que não há competitividade de jeito se os estados garantirem os depósitos nos bancos e até mesmo, por essa insuspeitada via, transformarem a sua actividade arriscada em nada de arriscado.
sem necessitarem de cobrir os seus riscos, os bancos estão transformados em cobradores de lucros, permitindo que, mesmo em situações de crise e bancarrota, se distribuam prémios entre os gestores jogadores e apostadores activos na criação de crise e ruína.
que também não podem ser tributados para não amolecer a actividade frenética dos magnifícos criadores de crises financeiras ou a competitividade entre eles.
mas, para a sociedade reganhar credibilidade financeira, os banqueiros clamam agora pelo aumentos dos impostos sobre os outros, sinal necessário para o acesso ao crédito internacional a juros convenientes ao capital financeiro (inter)nacional.
dito de outro modo, podemos baixar a competitividade de quem trabalha (de quem produz capital por incorporação de factores de produção ou de trabalho) desde que mantenhamos a credibilidade e a competitividade de quem cria o dinheiro virtual, capital especulativo - esse que não incorpora qualquer valor ou trabalho produtivo.
dizem que não é bem assim que as coisas se passam e, que para haver jogo, temos de considerar altamente útil e produtivo o trabalho não tanto dos jogadores, mas da banca, desses que jogam com o dinheiro dos outros.
mesmo quando corre mal o jogo do capital virtual, o estado cobre as apostas com o dinheiro real da sociedade, com impostos dos que trabalham.
as crises financeiras ensinam-nos que a parte do capital com trabalho produtivo incorporado está longe de ser igual ao todo que a imaginação gananciosa dos banqueiros e jogadores acrescenta ou cria e, ao mesmo tempo, retira do jogo dos impostos de cada país.
a vida real tornou-se um jogo arriscado e perigoso para os que não usam máscara e têm rosto e suor.
triste e amargurado é o fado de quem trabalha. graça tinha o fado canalha no tempo em que o fadista lia as letras do artista. só que agora há a grande canalhice e há fados tristes para quem vê vencer letras ao balcão da pulhice. e fados há, em que os grandes canalhas, sobre a denúncia podem cantam que é calhandrice.
rua: fonte dos amores
FONTE DOS AMORES:
placas antigas implantadas num muro, um pequeno tanque, o buraco da fonte
e um anúncio de marca "aveiro" que reza assim: água própria para consumo humano.
LOUVADO SEJA O SANCTÍSSSIMO SACRAMENTO E A VIRGEM NOSSA SENHORA QUE FOI CONCEBIDA SEM PECCADO ORIGINAL
é o que está escrito a cinzel no mármore ao lado do anúncio
ÁGUA PRÓPRIA PARA CONSUMO HUMANO,
concebido sem nada de original, sem pinga d'água, sem pingo de vergonha.
evidências que não contam
As escolas podem até ter portas largas e grandes salas, como a que conhecemos melhor. Mas em muitas delas, são os corredores que dominam tudo. Eles guiam-nos ao encontro das turmas e de outros grupos. Parte da escola é a viagem pelos corredores, mastigando passos e pensamentos, sobre como melhorar relações com as pessoas, das pessoas com o conhecimento, das pessoas com o trabalho.
Os professores afadigam-se a produzir evidências daquilo que pensam ser a sua acção e isso raramente é o que lhes acontece, antes é o que transcrevem dos livros e documentos onde se descreve o que é bom que tenha acontecido. Professores em corredores longos e escadas panorâmicas coleccionamos evidências nos detalhes. E a estes damos mais valor do que a outras evidências documentais pré-fabricadas para uso das organizações de profissionais que as escolas também são.
Voltemos à conversa dos corredores onde podemos espreitar o mundo: da linguagem corporal e da babel de sons. Nestes detalhes vivem evidências da acção dos professores e, principalmente, do seu pensamento aguçado para as circunstâncias em que se desenrola a sua acção. Esclarecem-nos a forma ou o molde das nossas inquietações em resposta às condições existentes. Condições de trabalho, sim, mas especialmente de resposta da parte de quem aprende. Quem ensina e aprende está à espera, numa tocaia inconsciente, de tocar e seduzir quem aprende e quem ensina. Todas as oportunidades são boas para alegrias vividas por quem compreende e anseia aprender, por quem se deixa seduzir pela alegria de saber e de mostrar compreensão pelo mundo até querer fazer parte dele, parte activa dele, parte critica dele, parte.
Cansamo-nos a argumentar a favor da rendição, disparando uma série de pequenas informações e perguntas em vez do problema que precisa de ser interpretado e resolvido. Não acreditamos que algum jovem queira esforçar-se e damo-nos por satisfeitos com respostas a partículas de perguntas em que a grande pergunta se decompõe. Olhamos para os jovens como se eles tivessem uma cabeça de pássaro desatento (ou atento a milhares de coisas por minuto) sem poder concentrar-se em leituras atentas e activas, interpretativa.
E damos sentido (talvez sem razão) ao cuidado do professor de Português em transcrever um texto numa só página na esperança que seja lido e compreendido pelos jovens, ao cuidado de publicar as perguntas sobre o texto ao lado do texto para ter esperança em que eles busquem o sentido para as respostas, etc.
Estes detalhes espelham uma baixa expectativa e uma descrença nos jovens. Um detalhe destes por dia e nós sabemos que passámos a estar à espera sem esperança. Sabemos que não há um nexo simples entre ensinar e aprender, porque aprender exige esforço, depende da vontade. E que aprender pelo trabalho, de forma complexa e esforçada, é fonte de muitas alegrias. E que aprender um caminho de migalhas que se debiquem e se guardem, migalha a migalha, pode ser um papo cheio, mas não de alegria.
Não podemos desistir de exigir o esforço de interpretar e construir alguma coisa que exija mudança de página e memória e por, em cada momento, não importar o esforço da mudança de página e só interessa saber se o jovem sabe ou faz precisamente isto ou aquilo. E evitamos o que existe sempre e em todo o lado? Não podemos estar sempre a pensar em perguntas livres de todo o mal do esforço, qual minério livre da ganga em que se embrulha e esconde. Não podemos, mas os corredores mostram que o fazemos todos os dias. Sem pensar.
Continuar a empobrecer o nosso discurso até ser o já adquirido pelos jovens, por ser esse que eles percebem, ou motivar por vias estranhas ao nosso ensino e ao que é preciso que aprendam, talvez seja um caminho. Mas é um caminho sem regresso, porque as migalhas que fomos deixando para marcar o caminho de regresso ao futuro, foram parar ao papo de quem não vê a floresta do caminho que vai debicando, não pensa em deixar rasto, nem sabe de onde vem a luz que o guia.
Evidências que não contam. Detalhes que contam.
a página de educação; inverno/2009
Os professores afadigam-se a produzir evidências daquilo que pensam ser a sua acção e isso raramente é o que lhes acontece, antes é o que transcrevem dos livros e documentos onde se descreve o que é bom que tenha acontecido. Professores em corredores longos e escadas panorâmicas coleccionamos evidências nos detalhes. E a estes damos mais valor do que a outras evidências documentais pré-fabricadas para uso das organizações de profissionais que as escolas também são.
Voltemos à conversa dos corredores onde podemos espreitar o mundo: da linguagem corporal e da babel de sons. Nestes detalhes vivem evidências da acção dos professores e, principalmente, do seu pensamento aguçado para as circunstâncias em que se desenrola a sua acção. Esclarecem-nos a forma ou o molde das nossas inquietações em resposta às condições existentes. Condições de trabalho, sim, mas especialmente de resposta da parte de quem aprende. Quem ensina e aprende está à espera, numa tocaia inconsciente, de tocar e seduzir quem aprende e quem ensina. Todas as oportunidades são boas para alegrias vividas por quem compreende e anseia aprender, por quem se deixa seduzir pela alegria de saber e de mostrar compreensão pelo mundo até querer fazer parte dele, parte activa dele, parte critica dele, parte.
Cansamo-nos a argumentar a favor da rendição, disparando uma série de pequenas informações e perguntas em vez do problema que precisa de ser interpretado e resolvido. Não acreditamos que algum jovem queira esforçar-se e damo-nos por satisfeitos com respostas a partículas de perguntas em que a grande pergunta se decompõe. Olhamos para os jovens como se eles tivessem uma cabeça de pássaro desatento (ou atento a milhares de coisas por minuto) sem poder concentrar-se em leituras atentas e activas, interpretativa.
E damos sentido (talvez sem razão) ao cuidado do professor de Português em transcrever um texto numa só página na esperança que seja lido e compreendido pelos jovens, ao cuidado de publicar as perguntas sobre o texto ao lado do texto para ter esperança em que eles busquem o sentido para as respostas, etc.
Estes detalhes espelham uma baixa expectativa e uma descrença nos jovens. Um detalhe destes por dia e nós sabemos que passámos a estar à espera sem esperança. Sabemos que não há um nexo simples entre ensinar e aprender, porque aprender exige esforço, depende da vontade. E que aprender pelo trabalho, de forma complexa e esforçada, é fonte de muitas alegrias. E que aprender um caminho de migalhas que se debiquem e se guardem, migalha a migalha, pode ser um papo cheio, mas não de alegria.
Não podemos desistir de exigir o esforço de interpretar e construir alguma coisa que exija mudança de página e memória e por, em cada momento, não importar o esforço da mudança de página e só interessa saber se o jovem sabe ou faz precisamente isto ou aquilo. E evitamos o que existe sempre e em todo o lado? Não podemos estar sempre a pensar em perguntas livres de todo o mal do esforço, qual minério livre da ganga em que se embrulha e esconde. Não podemos, mas os corredores mostram que o fazemos todos os dias. Sem pensar.
Continuar a empobrecer o nosso discurso até ser o já adquirido pelos jovens, por ser esse que eles percebem, ou motivar por vias estranhas ao nosso ensino e ao que é preciso que aprendam, talvez seja um caminho. Mas é um caminho sem regresso, porque as migalhas que fomos deixando para marcar o caminho de regresso ao futuro, foram parar ao papo de quem não vê a floresta do caminho que vai debicando, não pensa em deixar rasto, nem sabe de onde vem a luz que o guia.
Evidências que não contam. Detalhes que contam.
a página de educação; inverno/2009
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Quando posso escrevesses com a mais perdido de quanto …. No dia 06/07/2024, às 10:23, Arselio Martins <arselio@gmail.com> escreveu: M...
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Quando posso escrevesses com a mais perdido de quanto …. No dia 06/07/2024, às 10:23, Arselio Martins <arselio@gmail.com> escreveu: M...