onde?
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láqis na agenda das notas de alguns dias de 1989 que vamos ler e escrever de novo
à superfície da água só navegam
ideias leves
vestidas de sedas
que nós olhamo-las... distraídos
a olhar.
mas nos olhos as águas são profundas:
na sua superfície espelhada
bate o sol mais brilhante
e é vigiado o olhar mais vigilante
de certo modo olhar é abraçar
o que se está a ver
são as dúvidas que brilham quando trocar
é o que está a acontecer
rasgam-se assim as margens do rio
por onde corremos
de todos os lados olhamos
e nunca é tudo o que vemos
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a primitiva casa
em memória do poeta da aldeia
é verdade que não lembra as datas em que morreram
(como poderiam lembrar-se da data em que nasceram? se ainda não tinham nascido) nem pode recordar a nitidez das pessoas e dos locais que descreve porque não vivia no tempo em que deram as caras ou as varandas à luz do sol que os tisnava para ganharem a cor que os seus olhos viram depois ao avizinhar-se de todos eles como se fosse o estranho da família que vai a enterrar num antigo curral de porco.
sobre raimundo, o poeta
raimundo é um poeta de má mwemória. pensa-se que nasceu na região de aveiro, mais propriamente conhecido num lugar conhecido por trás-da-moita ou lagoa-chorida, na actual frenguesia de santo-andré do concelho de vagos. não se conhece a data de nascimento ao certo, mas pensa-se que morre em dezembro de todos os anos. dele se sabe que nunca quis aprender a escrever e muito a ler, mas que frequentou a escola primária pública da sua aldeia, assim como frequentou a catequese e fez a primeira comunhão. há quem diga que fez o crisma e escolheu arsélio martins para segundo nome. os seus escritos dispersos e consiiderados obras sem qualquer importância têm vindo a ser desenterrados por um obscuro professor de matemática do ensino secundário que dá pelo nome de arsélio martins. arsélio martins afirma que descobre os papéis de raimundo na estrumeira do pátio da casa onde nasceu e onde cresceu. durante vários anos, arsélio martins, um homem sem energia e sem grandes convicções, ou pelo menos pouco dado a valorizar o seu trabalho, publicou em alguns suplementos de jornais e revistas, ao sabor da sua desorganização mental, alguns dos textos que recupera da estrumeira da sua vida. muitos dos textos estão de tal modo tratados e acrescentados (até pela inserção de dados que não podem ser do conhecimento de raimundo) que não podem deixar de se considerar completamente reinventados pwlo professor de matemático. da mesma estrumeira, arsélio martins retirou a maior parte da sua cultura. sabe-se que, sendo homem de várias leituras, o actual professor obscuro começou por ler obras carregadas de ateísmo e cientismo e escritos obscuros de um seu avô, velho regressado da américa-do- -norte onde tinha permanecido durante trinta e cinco anos sem ter dado notícias. do mesmo modo leu obras de autores brasileiros que enchiam arcas que o seu pai enviava do brasil a acompanhar promessas de regresso que nunca se chegaram a cumnprir. o rasto desses volumes perde-se nas estrumeiras do seu pátio, que foi, muitos anos depois, um pátio cimentado onde se guardou um fiat 127. hoje, a confusão é total a respeito da autoria da maior parte dos escritos. ninguém pode dizer onde começa e acaba a obra de raimundo; muito do que aqui se divulga pode ser cooisa escrita por arsélio martins que, a sua imaginação doentia e supersticiosa atribui ora a raimundo ora à assombração de raimundo. seja o que for é raimundo. seja o que for, é aqui e em mais nenhuma memória.
é verdade que não lembra as datas em que morreram
(como poderiam lembrar-se da data em que nasceram? se ainda não tinham nascido) nem pode recordar a nitidez das pessoas e dos locais que descreve porque não vivia no tempo em que deram as caras ou as varandas à luz do sol que os tisnava para ganharem a cor que os seus olhos viram depois ao avizinhar-se de todos eles como se fosse o estranho da família que vai a enterrar num antigo curral de porco.
sobre raimundo, o poeta
raimundo é um poeta de má mwemória. pensa-se que nasceu na região de aveiro, mais propriamente conhecido num lugar conhecido por trás-da-moita ou lagoa-chorida, na actual frenguesia de santo-andré do concelho de vagos. não se conhece a data de nascimento ao certo, mas pensa-se que morre em dezembro de todos os anos. dele se sabe que nunca quis aprender a escrever e muito a ler, mas que frequentou a escola primária pública da sua aldeia, assim como frequentou a catequese e fez a primeira comunhão. há quem diga que fez o crisma e escolheu arsélio martins para segundo nome. os seus escritos dispersos e consiiderados obras sem qualquer importância têm vindo a ser desenterrados por um obscuro professor de matemática do ensino secundário que dá pelo nome de arsélio martins. arsélio martins afirma que descobre os papéis de raimundo na estrumeira do pátio da casa onde nasceu e onde cresceu. durante vários anos, arsélio martins, um homem sem energia e sem grandes convicções, ou pelo menos pouco dado a valorizar o seu trabalho, publicou em alguns suplementos de jornais e revistas, ao sabor da sua desorganização mental, alguns dos textos que recupera da estrumeira da sua vida. muitos dos textos estão de tal modo tratados e acrescentados (até pela inserção de dados que não podem ser do conhecimento de raimundo) que não podem deixar de se considerar completamente reinventados pwlo professor de matemático. da mesma estrumeira, arsélio martins retirou a maior parte da sua cultura. sabe-se que, sendo homem de várias leituras, o actual professor obscuro começou por ler obras carregadas de ateísmo e cientismo e escritos obscuros de um seu avô, velho regressado da américa-do- -norte onde tinha permanecido durante trinta e cinco anos sem ter dado notícias. do mesmo modo leu obras de autores brasileiros que enchiam arcas que o seu pai enviava do brasil a acompanhar promessas de regresso que nunca se chegaram a cumnprir. o rasto desses volumes perde-se nas estrumeiras do seu pátio, que foi, muitos anos depois, um pátio cimentado onde se guardou um fiat 127. hoje, a confusão é total a respeito da autoria da maior parte dos escritos. ninguém pode dizer onde começa e acaba a obra de raimundo; muito do que aqui se divulga pode ser cooisa escrita por arsélio martins que, a sua imaginação doentia e supersticiosa atribui ora a raimundo ora à assombração de raimundo. seja o que for é raimundo. seja o que for, é aqui e em mais nenhuma memória.
eu em março de 1971?
(março de1971 em Leça, eu escrevi no caderno de grupo poético
- escreveu-me JCPSoares, muitos anos depois)
- escreveu-me JCPSoares, muitos anos depois)
aquele menino maluquinho
meteu asas ao caminho
e apodreceu de livre vontade.
e assim à vista de todos
sem procurar venenos ou outros modos
de matar-se caíu podre dentro da cidade
aquela menina de agasalho
passou pelo meio do menino caído
e teve muito nojo e pena de ver um caralho
tão novo e apodrecido.
e desde o dia de tal memória
ficou maluquinha e apodreceu nesta história.
à margem da vida há vida na margem....
..... de ontem
Simples é consultar um nome próprio do teatro e uma MARGEM
https://www.nomeproprio.pt/cH1XRpdJwg/nome-proprio/
Quem são estas pessoas colocadas à margem, e quando é que essa marginalização começa?
Na casa de partida da vida, temos todos as mesmas hipóteses ou alguns começam já em défice?
Há formas de quebrar isso? Será realmente admirável o mundo novo que construímos, com os ideais de igualdade...
Filhos, netos, amigos tomam conta de flhos, avós e netos retirando-os do ninho até novo pombal porque sabem que
do teatro podemos receber aulas, escolas e futuro.
Deste alto futuro, agradecemos a vida que nos dão:
https://www.nomeproprio.pt/cH1XRpdJwg/nome-proprio/
Quem são estas pessoas colocadas à margem, e quando é que essa marginalização começa?
Na casa de partida da vida, temos todos as mesmas hipóteses ou alguns começam já em défice?
Há formas de quebrar isso? Será realmente admirável o mundo novo que construímos, com os ideais de igualdade...
despe dido
por uma vez despido despedido
de emprego que nunca foi certo
por outra vez vestido revestido
de vestido vaporoso de galinha
não sou levado em ombros empurrado
ou outra vida que não a minha
sinto-me sombra de escombros despejados
de mim numa lixeira aqui perto
hoje volto à entrada da escola...
a atenção de asas frágeis vigia
os gestos das árvores
enquanto o cuco finge
um ninho único no único ramo
a folha que morre
voa
já não está cá o caminho
em vez do caminho batemos a uma porta aberta até que uma lama feita água enterrada se mostra sem vergonha alguma
para que se possa ver até onde chega o fundo dos nossos olhos.
Apresentação do livro "Na Hora da Mudança" de Arsélio Martins
"Na hora da mudança" de Arsélio Martins Editora: Rosa de Porcelana Editora Nesta sexta-feira, 27 de setembro às 18h no MIRA FORUM foi apresentado o livro "Na hora da mudança". É uma amostra da produção poética de Arsélio Martins, autor até aqui “disperso” em periódicos, em programas de rádio, plataformas eletrónicas e outros meios, a partir de Aveiro, a sua cidade. Este é, pois, um livro balanço, no sentido de ser uma “amostra” dos vários momentos da poesia deste autor, sem os esgotar, contudo. Mas é, simultaneamente, um livro revelação para quem apenas agora descobre este poeta. "Na hora da mudança" atesta que Arsélio Martins em nada desmerece essa tradição, panteísta, pagã, lírica, órfica e, amiúde, de interrogação do real, como diria Ramos Rosa, mas também da memória guardada e consentida, até porque memória e esquecimento são faces da mesma moeda. E, no caso presente, este é o poeta que, no seu confronto com “deus”, nos adverte: “Arriscada é a ascensão aos céus/ pelo poste ensebado”, porquanto “Todo o sagrado é obra do homem”.
porta de entrada - para sair do index onde se perdeu
entrada
a porta de entrada é a porta de saída - disse-lhe a mãe, sem apontar qualquer saída.
o filho bateu com a porta para poder perguntar: - quem fica dentro?
hoje está um dia quente! - respondeu a mãe, deitando-se sobre a cama acabada de mudar.
fecha a porta, mãe! vem para dentro! os vizinhos estão a espreitar! - o filho falava docemente.
quando acordar, parto! ainda não sei o caminho, mas tem de haver uma saída de mim! - disse a mãe, antes de adormecer.
bateram à porta, mãe! vou abrir? - perguntou o filho, já a mãe tinha partido de si.
- quem chegou? oh meu sussurro de ar! és tu? entras tu ou saio eu?
- a minha mãe? viste a minha mãe?
- ela passou por mim, livre. disse que me esperavas. é verdade?
oh doce encantamento! os teus dedos que separam as nuvens
de fumo do meu cigarro incandescente preparam a ternura
de não mais que um gesto cego e vago passeio de ar no meu peito
enquanto uma erupção faz de mim a nascente do rio de lava
que procura a foz em ti, em teu delta - a espera ansiosa que finda.
a porta de entrada é a porta de saída - disse-lhe a mãe, sem apontar qualquer saída.
o filho bateu com a porta para poder perguntar: - quem fica dentro?
hoje está um dia quente! - respondeu a mãe, deitando-se sobre a cama acabada de mudar.
fecha a porta, mãe! vem para dentro! os vizinhos estão a espreitar! - o filho falava docemente.
quando acordar, parto! ainda não sei o caminho, mas tem de haver uma saída de mim! - disse a mãe, antes de adormecer.
bateram à porta, mãe! vou abrir? - perguntou o filho, já a mãe tinha partido de si.
- quem chegou? oh meu sussurro de ar! és tu? entras tu ou saio eu?
- a minha mãe? viste a minha mãe?
- ela passou por mim, livre. disse que me esperavas. é verdade?
oh doce encantamento! os teus dedos que separam as nuvens
de fumo do meu cigarro incandescente preparam a ternura
de não mais que um gesto cego e vago passeio de ar no meu peito
enquanto uma erupção faz de mim a nascente do rio de lava
que procura a foz em ti, em teu delta - a espera ansiosa que finda.
animaçal
Tive um animal de estimação com quem valia a pena falar sem dizer uma palavra. O melhor dia antes de o perder de vista foi quando ele percebeu que eu o ia fotografar para nunca mais o perder de vista.
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Re: Mensagens
Quando posso escrevesses com a mais perdido de quanto …. No dia 06/07/2024, às 10:23, Arselio Martins <arselio@gmail.com> escreveu: M...
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Quando posso escrevesses com a mais perdido de quanto …. No dia 06/07/2024, às 10:23, Arselio Martins <arselio@gmail.com> escreveu: M...









