solidariedade entre cães


Os dois cães da fotografia representam coisas diferentes. De um lado, o cão que me seguiu pela rua fora; do outro lado da rede o cão que já foi feroz e agora é um cão triste e solitário tempo demais e que guarda (ao mesmo tempo que mostra) o que pode resultar da alienação trapaceira de instalações e equipamentos públicos, neste caso, piscinas (uma coberta, outra descoberta). Deixou de poder ser utilizada muito antes de ter tido a vida que lhe tinham prometido à data da sua criação e construção com dinheiros públicos. Foi de alienação em alienação e há muitos muitos meses que se tornou pasto do mato e da degradação que nos envergonha. Melhor dito, esta prisão do cão (único que não tem culpa) envergonha toda a gente menos os negociantes que fecharam este equipamento, oferecendo em troca o triste matagal e a prisão do cão como espectáculo entre duas escolas. Como escola em que pontificam como professores de moral e maus costumes, autarcas e dirigentes partidários e clubistas que se dão ao luxo de achar que há um deus a apoiar os seus actos de apóstolos até de tudo isto.
Sobra-nos a solidariedade entre cães onde falta a solidariedade entre humanos.

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